As pesquisas mais recentes mostram que depressões, surtos psicóticos e ataques de pânico alteram a estrutura cerebral em termos químicos (neurotransmissão), microscópicos (neurônios, dendritos e axônios) e estruturais (volume de certas estruturas cerebrais). Provavelmente essa é a explicação para o que se sabe há décadas: quanto mais cedo se trata depressão, ansiedade, pânico, stress, DDA, psicose, cefaléia, etc., melhor.
Atenção: vale para quase todas as patologias da Neuropsiquiatria: quanto mais cedo se trata uma fase depressiva, ou um surto psicótico, uma cefaléia, um DOC, um ataque de Pânico, etc., melhor. Depois que o cérebro "aprende" a produzir esses sintomas, é cada vez mais fácil para ele produzi-los. Ou seja, crises, "quanto mais tem mais tem e quanto menos tem menos tem". Portanto deixe seus preconceitos de lado e procure tratamento.

Dr Rubens Pitliuk

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Perguntas sobre Psiquiatria Pediátrica, Psicologia Pediátrica e Neurologia Pediátrica

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Respondidas por Dr Rubens PitliukDra Susan Mondoni, Dr. Abram Topcewsky e Dr Juarez Lopes Neto

Gostaria de saber se vocês têm conhecimento sobre o medicamento Respidon, que foi recomendado para meu filho de 07 anos, que se encontra bem imaturo e com um bloqueio psicológico que não permite que ele faça nada em sala de aula, apesar de ser uma criança muito inteligente.Na bula li que não existem casos administrados com crianças menores de 15 anos. Fiquei preocupada e liguei para a psicanalista que me informou que a quantia que ele esta tomando (1mg.) não há o menor problema e que ela têm tido muitos bons resultados.Gostaria de dividir esta opinião, porque tive uma segunda opinião de um psiquiatra, que acha que o caso é somente um grau de imaturidade, que poderia ser tratado com mais um dia de terapia e com a Psicopedagoga que e lê já faz. Por favor se têm conhecimentos de casos com esse medicamento peço a gentileza de me enviarem.

A medicação RISPERIDONA vem sob vários nomes comerciais e tem sido usada em quadros abaixo dos 12 anos de idade. É o que os norte americanos chamam de uso "off label" ou seja fora do que é recomendado na bula. É reservado para casos severos de distúrbios de comportamento infantil inclusive nos que envolvem mau aproveitamento escolar. Se desejar uma segunda opinião a respeito do quadro do seu filho, estamos ao seu dispor. Dr. Raymond Rosenberg

Temos um caso de uma criança,hoje com 9 anos, nascido de parto prematuro de 32 semanas, que já estava em sofrimento fetal por deficiência placentária, ficou na UTI com comprometimento respiratório e cardíaco por 60 dias. Aos 6 anos apresentou uma alteração grande de comportamento, gritando e se auto agredindo depois de muitos exames foi diagnosticado como um refluxo gastro-esofágico sendo tratado 1 ano com medicação, sem resultados positivos, havendo necessidade de cirurgia, realizada em dez/2000 após houve uma diminuição da agitação, permanecendo a auto-agressão. Atualmente faz uso freqüente de um capacete para proteger sua cabeça, têmporas e nariz que estão feridos. Faz acompanhamento psiquiátrico e toma Melleril. Gostaria de opiniões a respeito de tratamentos específicos para esse caso. Integração Sensorial? Terapia Comportamental? Terapia Comportamental Cognitiva? Intervenção medicamentosa?

A auto-agressão de per si é de muito difícil manejo. A escolha do tipo de intervenção irá depender da patologia de base. Se a criança NÃO tiver retardo mental significativo uma terapia cognitivo-comportamental terá maior probabilidade de surtir resultados duradouros. Se houver retardo mental ( e dependendo da severidade do mesmo) a terapia comportamental associada a medicação poderá surtir efeitos de curta duração porém de grande valia. A patologia de base é que deverá ser abordada JUNTO com a auto-agressão. Dr. Raymond Rosenberg

Tenho uma colega que está bastante preocupada com sua filha de 8 anos que vem sentindo medos contínuos de entrar em elevador, ficar sozinha no quarto, fechar a porta da casa, etc...Aparentemente são sintomas de claustrofobia, mas o que mais preocupa minha amiga é que esta criança tem uma tia esquizofrênica. Ela já levou sua filha à alguns psicólogos, e durante o pré-natal fez todos os exames possíveis para saber se seu bebe podia ter alguma tendência a ser esquizofrênico. Todos os médicos que consultou a tranqüilizaram, pois acreditam que os sintomas claustrofóbicos de sua filha não indicam esquizofrenia. Eu gostaria de saber se pode haver alguma relação entre este tipo de fobia e esquizofrenia.

Prezada Senhora, Não há pesquisa relacionando fobia infantil com o aparecimento de Esquizofrenia até o presente momento. A esquizofrenia não tem sido considerada genética. Pode tranqüilizar a sua colega. Dr. Raymond Rosenberg 

É possível uma criança de 11 anos sofrer de insônia? (O meu filho acorda todas as noites, e sempre diz que não consegue dormir, sempre fala que está com medo, porem mesmo eu ficando ao seu lado até ele pegar no sono, ele demora a voltar a dormir).

A insônia pode aparecer desde muito cedo na infância. Quando inicia-se aos 11 anos é necessário investigar possíveis causas orgânicas antes de se supor que seja de origem psicológica. Dr. Raymond Rosenberg

Tenho uma filha de 9 anos, que foi adotada com 7 anos e 10 meses. Desde o princípio mostrou-se muito distraída, com grandes dificuldades de concentração. Conclui que suas dificuldades eram por causa de maus tratos, tanto físico como alimentar. Ela é muito inconseqüente também. Mas nosso maior problema hoje é a dificuldade de memória, ela esquece muito das coisas. Muitas vezes o que foi falado a um minuto. Também tem sérias dificuldades de entendimento. O que devo fazer? Que profissional que devo procurar? Pois o pediatra a princípio acha ela uma criança saudável.

É muito freqüente que uma criança mostre dificuldades de adaptação a uma adoção, levando a um quadro de depressão infantil. Mas, antes de ir nessa direção, é necessário descartar problemas de ordem cognitiva. Sugiro que leve a sua criança a um(a) psicólogo(a) para fazer testes objetivos e projetivos. Quando os tiver em mãos poderá decidir melhor sobre o que deve fazer. Dr. Raymond Rosenberg

Uma criança de 6 anos de idade (sem qualquer problema em termos de relacionamento interpessoal, rendimento escolar e demais aspectos do desenvolvimento) tem referido há aproximadamente 2 meses pensamentos repetitivos (que, de acordo com investigação psicológica parecem ter caráter intrusivo) de cunho agressivo e sexual que incomodam sobremaneira. (dúvidas qto a própria sexualidade, "desejos" de causar mal a alguém). Questões: - Esta criança pode estar apresentando sintomas obsessivos que evoluirão para quadro de TOC. - Tais pensamentos podem ser "passageiros" com evolução para um desaparecimento. Como fazer diagnóstico diferencial?? Faz-se necessária avaliação psiquiátrica??

Esta criança está apresentando pensamentos obsessivos que não são as obsessividades naturais de sua idade devido ao conteúdo e à intensidade da ansiedade referida. A evolução não pode ser prevista a esta altura de seu desenvolvimento e tão somente com os dados fornecidos. Recomendo uma avaliação psiquiátrica com urgência antes que a estrutura ainda imatura desta criança venha a se alterar com seqüelas permanentes. Dr. Raymond Rosenberg.

Gostaria de obter informações sobre escrita espelhada em crianças em fase de alfabetização. Até que ponto isso é considerado normal e em que momento devemos procurar ajuda mais específica?

A escrita espelhada que se mantém após o 2o ano primário pode ser sinal de uma dislexia ( talvez associada a Distúrbio de Atenção) ou de um talento de uma criança bem dotada. Após o primeiro semestre do 1o ano primário toda criança merecerá um trabalho de diagnóstico diferencial. Dr. Raymond Rosenberg.

Tenho um paciente de cinco anos de idade que há quatro deixou de comer comida. Atualmente, seu único alimento diário são alguns copos de leite com Nescau. Descreve ter nojo de comida, faz vômito somente em ver o irmão menos ou outras pessoas comendo... Pelas descrições atuais da mãe, percebo que seus sintomas se ampliam, tornando-se uma criança tensa, em constante estado de alerta, chegando a não conseguir brincar em função de preocupar-se em adoecer, etc. Não aceita toques corporais, passando a lavar-se imediatamente quando isso acontece. A família vem apresentando-se sem saída, em especial a mãe, causando grandes conflitos e sofrimentos familiares. Penso na hipótese de este menino estar desenvolvendo um transtorno Obsessivo-compulsivo e já estou encaminhando para avaliação psiquiátrica

O quadro que descreveu mais me parece psicótico do que Distúrbio Obsessivo Compulsivo. Eu levaria esta criança a um posto de saúde onde ela poderia ser vista por um Psiquiatra infantil. A sintomatologia é por demais severa para esperar a evolução do quadro. Acredito que um serviço Universitário se interessaria sobremaneira a um quadro tão raro e no Rio de Janeiro temos boas Faculdades de Medicina. Dr. Raymond Rosenberg

Tenho uma filha com 10 anos e ela tem demonstrado baixa capacidade de interação com as outras crianças e adultos. Aos 6 anos fizemos uma bateria de testes psicológicos que não indicaram nenhuma anormalidade. O Psiquiatra na época falou ela tinha personalidade introvertida. Como o quadro não melhorou e ela sempre apresentou problemas de atenção e dificuldade na escola, em fevereiro de 2001, resolvemos consultar uma Psicóloga. Novamente vamos fazer exames psicológicos, comparando com os de 4 anos atrás. Esta profissional esta recomendando a consulta com um Psiquiatra, com provável utilização de Antidepressivos. Quais são os prós e contras deste tipo de tratamento em crianças? Tenho uma filha com 10 anos e ela tem demonstrado baixa capacidade de interação com as outras crianças e adultos. Aos 6 anos fizemos uma bateria de testes psicológicos que não indicaram nenhuma anormalidade. O Psiquiatra na época falou ela tinha personalidade introvertida. Como o quadro não melhorou e ela sempre apresentou problemas de atenção e dificuldade na escola, em fevereiro de 2001, resolvemos consultar uma Psicóloga. Novamente vamos fazer exames psicológicos, comparando com os de 4 anos atrás. Esta profissional esta recomendando a consulta com um Psiquiatra, com provável utilização de Antidepressivos. Quais são os prós e contras deste tipo de tratamento em crianças?

O uso dos Antidepressivos para a fobia social é o tratamento de segunda escolha. A primeira abordagem é a terapia Cognitivo Comportamental. As medicações anti-depressivas , quando ministradas por profissional experiente , não costumam ter efeitos colaterais severos e dignos de nota. A associação das duas terapias irá acelerar a integração de sua filha. Se quiser maiores detalhes sobre os Antidepressivos em crianças e adolescentes, sugiro a leitura do capítulo Psicofarmacoterapia do livro Psiquiatria da Criança e do Adolescente Editado pelo Prof. Francisco Batista Assumpção Jr. Dr. Raymond Rosenberg

... 3 anos apresenta conforme a Ressonância Magnética um cisto aracnóide na cisterna Silviana direita com proeminência de espaço perivascular no sub-cortex parieto occipital à esquerda. Segundo o médico, terá que fazer novo exame daqui a 6 meses para acompanhar a evolução pois o cisto é bem pequeno e não o prejudica ainda. Ainda segundo o médico , este tipo de cisto nesta localidade é responsável por problemas Neuropsiquiátricos infantis. Gostaria de saber que problemas são estes, que conseqüências podem vir , e que tratamento é indicado.

Há crianças (e adultos também) que têm cistos dentro do cérebro SEM JAMAIS APRESENTAR PROBLEMAS. Isto se deve à plasticidade do cérebro em se adaptar e compensar a falta/falha de certas estruturas cerebrais. A melhor atitude é a que o colega médico recomendou "olhar e cuidar". A observação do desenvolvimento do seu sobrinho é que dirá o que tem que fazer além de observar a evolução do cisto e SÓ QUANDO HOUVER UM DESVIO DO DESENVOLVIMENTO PENSAR EM INTERVENÇÃO. Será preciso só paciência e seguimento regular. Boa sorte! Dr. Raymond Rosenberg.

Na APAE onde atuo como Psicóloga, atendo uma criança com 3 anos que apresenta muitas crises convulsivas incontroláveis até o momento. O Neurologista suspeita que a criança esteja apresentando um quadro característico da Síndrome de Lennox Gastault.( não sei se a grafia está correta). Qual o prognóstico para esta criança? No quadro atual da criança quando a estimulamos desencadeia-se muitas crises, se não a estimulamos a criança fica em estado vegetativo, o que devemos fazer? O Neurologista solicitou uma avaliação Eletroneuromiográfica para posterior diagnóstico, o referido exame confirma a patologia? Dr. Rosenberg eu o agradeço e aguardo sua resposta.

O quadro de Lenox Gastault é de fato refratário a muitas das medicações atualmente utilizadas e tem se feito uso da Gabapentina como nova arma terapêutica, embora com reservas. Há um novo livro de Genética editado pelo Dr. Zan Moustachi onde poderá encontrar maiores detalhes sobre a Síndrome de Sotos. Estamos às ordens para maiores detalhes. Dr. Raymond Rosenberg

... 7 anos foi diagnosticada como Autista de bom nível funcional, verbaliza desde os 2 anos de idade, mas estamos notando que é muito Hiperativa o que segundo especialistas, faz com que não consiga desenvolver todo o seu potencial, toma Carbamazepina e Imipramina, recentemente me indicaram o uso da Piridoxina, gostaria de saber mais sobre a terapia da megavitamina .

A hiperatividade de um indivíduo com Autismo costuma responder à Vitamina B6 (Piridoxina) conforme a Literatura internacional. Não há pesquisa específica,que eu tenha lido nos últimos 5 anos, que fale de MEGAVITAMINAS. Os relatos se originam de San Diego sem controle ou comprovação científica. O produto comercial propagado é o NUTERA e eu não recomendaria.. Dr. Raymond Rosenberg 

Tenho uma filha de 7 anos que há 1 ano toma Carbolitium. Gostaríamos de saber qual a causa do aumento e a diminuição do Lítio. Ela faz tratamento com um Neurologista.

Os sais de Lítio são usados em crianças que tenham um nível de agressividade aumentado. O Lítio não existe naturalmente nos seres humanos. Devemos ter cautela na população infantil com a função da Tireóide pois o Lítio compete com o Iodo nesta glândula. Dr. Raymond Rosenberg 

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