Gostaria de saber
se vocês têm conhecimento sobre o medicamento Respidon, que foi recomendado
para meu filho de 07 anos, que se encontra bem imaturo e com um bloqueio psicológico
que não permite que ele faça nada em sala de aula, apesar de ser
uma criança muito inteligente.Na bula li que não existem casos administrados com crianças menores de 15
anos. Fiquei preocupada e liguei para a psicanalista
que me informou que a quantia que ele esta tomando (1mg.) não há o menor
problema e que ela têm tido muitos bons resultados.Gostaria de dividir esta opinião, porque tive uma
segunda opinião de um psiquiatra, que acha que o caso é
somente um grau de imaturidade, que poderia ser tratado com mais um dia de
terapia e com a Psicopedagoga que e lê já faz. Por favor se têm conhecimentos de
casos com esse medicamento peço a gentileza de me enviarem.
A medicação
RISPERIDONA vem sob vários nomes comerciais e tem sido usada em quadros abaixo
dos 12 anos de idade. É o que os norte americanos chamam de uso "off
label" ou seja fora do que é recomendado na bula. É reservado para casos
severos de distúrbios de comportamento infantil inclusive nos que envolvem mau
aproveitamento escolar. Se desejar uma segunda opinião a respeito do quadro do
seu filho, estamos ao seu dispor. Dr. Raymond Rosenberg
Temos um caso de uma
criança,hoje com 9 anos, nascido de parto prematuro de 32 semanas, que já
estava em sofrimento fetal por deficiência placentária, ficou na UTI com
comprometimento respiratório e cardíaco por 60 dias. Aos 6 anos apresentou uma
alteração grande de comportamento, gritando e se auto agredindo depois de
muitos exames foi diagnosticado como um refluxo gastro-esofágico sendo tratado
1 ano com medicação, sem resultados positivos, havendo necessidade de
cirurgia, realizada em dez/2000 após houve uma diminuição da agitação, permanecendo
a auto-agressão. Atualmente faz uso freqüente de um capacete para proteger sua
cabeça, têmporas e nariz que estão feridos. Faz acompanhamento psiquiátrico
e toma Melleril. Gostaria de opiniões a respeito de tratamentos específicos
para esse caso. Integração Sensorial? Terapia Comportamental? Terapia
Comportamental Cognitiva? Intervenção medicamentosa?
A auto-agressão de per si é
de muito difícil manejo. A escolha do tipo de intervenção irá depender da
patologia de base. Se a criança NÃO tiver retardo mental significativo uma
terapia cognitivo-comportamental terá maior probabilidade de surtir resultados
duradouros. Se houver retardo mental ( e dependendo da severidade do mesmo) a
terapia comportamental associada a medicação poderá surtir efeitos de curta
duração porém de grande valia. A patologia de base é que deverá ser
abordada JUNTO com a auto-agressão. Dr. Raymond Rosenberg
Tenho uma colega que está
bastante preocupada com sua filha de 8 anos que vem sentindo medos contínuos de
entrar em elevador, ficar sozinha no quarto, fechar a porta da casa,
etc...Aparentemente são sintomas de claustrofobia, mas o que mais preocupa
minha amiga é que esta criança tem uma tia esquizofrênica. Ela já levou sua
filha à alguns psicólogos, e durante o pré-natal fez todos os exames
possíveis para saber se seu bebe podia ter alguma tendência a ser esquizofrênico.
Todos os médicos que consultou a tranqüilizaram, pois acreditam que os
sintomas claustrofóbicos de sua filha não indicam esquizofrenia. Eu gostaria
de saber se pode haver alguma relação entre este tipo de fobia e
esquizofrenia.
Prezada Senhora, Não há
pesquisa relacionando fobia infantil com o aparecimento de Esquizofrenia até o presente
momento. A esquizofrenia não tem sido considerada genética. Pode tranqüilizar
a sua colega. Dr. Raymond Rosenberg
É possível uma criança de 11
anos sofrer de insônia? (O meu filho acorda todas as noites, e sempre diz que
não consegue dormir, sempre fala que está com medo, porem mesmo eu ficando ao
seu lado até ele pegar no sono, ele demora a voltar a dormir).
A insônia pode aparecer desde
muito cedo na infância. Quando inicia-se aos 11 anos é necessário investigar
possíveis causas orgânicas antes de se supor que seja de origem psicológica.
Dr. Raymond Rosenberg
Tenho uma filha de 9 anos, que
foi adotada com 7 anos e 10 meses. Desde o princípio mostrou-se muito
distraída, com grandes dificuldades de concentração. Conclui que suas
dificuldades eram por causa de maus tratos, tanto físico como alimentar. Ela é
muito inconseqüente também. Mas nosso maior problema hoje é a dificuldade de
memória, ela esquece muito das coisas. Muitas vezes o que foi falado a um
minuto. Também tem sérias dificuldades de entendimento. O que devo fazer? Que
profissional que devo procurar? Pois o pediatra a princípio acha ela uma
criança saudável.
É muito freqüente que uma
criança mostre dificuldades de adaptação a uma adoção, levando a um quadro
de depressão infantil. Mas, antes de ir nessa direção, é necessário
descartar problemas de ordem cognitiva. Sugiro que leve a sua criança a um(a)
psicólogo(a) para fazer testes objetivos e projetivos. Quando os tiver em mãos
poderá decidir melhor sobre o que deve fazer. Dr. Raymond Rosenberg
Uma criança de 6 anos de idade
(sem qualquer problema em termos de relacionamento interpessoal, rendimento
escolar e demais aspectos do desenvolvimento) tem referido há aproximadamente 2
meses pensamentos repetitivos (que, de acordo com investigação psicológica
parecem ter caráter intrusivo) de cunho agressivo e sexual que incomodam
sobremaneira. (dúvidas qto a própria sexualidade, "desejos" de causar mal
a alguém). Questões: - Esta criança pode estar apresentando sintomas
obsessivos que evoluirão para quadro de TOC. - Tais pensamentos podem ser
"passageiros" com evolução para um desaparecimento. Como fazer
diagnóstico diferencial?? Faz-se necessária avaliação psiquiátrica??
Esta criança está
apresentando pensamentos obsessivos que não são as obsessividades naturais de
sua idade devido ao conteúdo e à intensidade da ansiedade referida. A
evolução não pode ser prevista a esta altura de seu desenvolvimento e tão
somente com os dados fornecidos. Recomendo uma avaliação psiquiátrica com
urgência antes que a estrutura ainda imatura desta criança venha a se alterar
com seqüelas permanentes. Dr. Raymond Rosenberg.
Gostaria de obter informações
sobre escrita espelhada em crianças em fase de alfabetização. Até que ponto
isso é considerado normal e em que momento devemos procurar ajuda mais
específica?
A escrita espelhada que se
mantém após o 2o ano primário pode ser sinal de uma dislexia ( talvez
associada a Distúrbio de Atenção) ou de um talento de uma criança bem dotada.
Após o primeiro semestre do 1o ano primário toda criança merecerá um
trabalho de diagnóstico diferencial. Dr. Raymond Rosenberg.
Tenho um paciente de cinco anos
de idade que há quatro deixou de comer comida. Atualmente, seu único alimento
diário são alguns copos de leite com Nescau. Descreve ter nojo de comida, faz
vômito somente em ver o irmão menos ou outras pessoas comendo... Pelas
descrições atuais da mãe, percebo que seus sintomas se ampliam, tornando-se
uma criança tensa, em constante estado de alerta, chegando a não conseguir
brincar em função de preocupar-se em adoecer, etc. Não aceita toques
corporais, passando a lavar-se imediatamente quando isso acontece. A família
vem apresentando-se sem saída, em especial a mãe, causando grandes conflitos e
sofrimentos familiares. Penso na hipótese de este menino estar desenvolvendo um
transtorno Obsessivo-compulsivo e já estou encaminhando para avaliação
psiquiátrica
O quadro que descreveu mais me
parece psicótico do que Distúrbio Obsessivo Compulsivo. Eu levaria esta
criança a um posto de saúde onde ela poderia ser vista por um Psiquiatra
infantil. A sintomatologia é por demais severa para esperar a evolução do quadro. Acredito
que um serviço Universitário se interessaria sobremaneira a um quadro tão
raro e no Rio de Janeiro temos boas Faculdades de Medicina. Dr. Raymond
Rosenberg
O Pânico, como
síndrome, tem sido descrito mais recentemente em crianças ( na década de 80) porque anteriormente
ele era englobado nos Distúrbios ansiosos. Uma forma mais antigamente descrita era o
terror noturno em que a criança ficava ansiosa a ponto de não deixar sua mãe sair de
casa de noite ou sequer dormir num outro quarto. Uma outra forma era a recusa de ir à
escola (descrito anteriormente como angústia de separação). O Pânico em crianças tem
respondido muito bem à combinação de medicação e Psicoterapia (Dr Rosenberg)
Depressão Infantil:
Estamos, felizmente, numa época em que a Psiquiatria Infantil está tomando corpo no
Brasil!!Recomendo-lhe o livro Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Livraria
Editora SANTOS compilado pelo Dr. Prof. Francisco B. Assumpção Jr. que tem um capítulo
intitulado Transtornos de Humor na Infância e na Adolescência (Dr Rosenberg)
Esquizofrenia em síndrome
de Down: O tema é uma área muito pouco pesquisada pois o campo de estudo de Distúrbios
associados a Síndrome de Down é recente. A experiência clínica me tem mostrado que
pelo fato de ter a Síndrome de Down o indivíduo não tem imunidade a um processo
psicótico. Já vi a associação com Autismo Infantil, Distúrbios de Humor Bipolar (
seja misto ou só maníaco) e quadros alucinatórios delirantes típicos de
Esquizofrenia. Porém, a associação não é estatisticamente alta para nos fazer supor que a Trissomia
esteja causando uma predisposição para a Esquizofrenia(Dr Rosenberg)