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Não é difícil eu ouvir dos
meus amigos e pessoas que convivem comigo comentários do tipo: “Ah, a C é
desligada mesmo...”ou“ Tinha que ser a C ! ” O meu jeito de ser, assim
desligada, já se tornou uma característica minha e motivo de muitas risadas
entre as pessoas que convivem comigo. Eu não ligo, acabo rindo junto e até
faço piadas comigo mesma. Até aí tudo bem, tudo muito engraçado, mas só
até certo ponto. A partir do momento que esse meu jeito começa atrapalhar a
minha vida, começo a pensar diferente sobre o assunto e já não encaro da
mesma forma. Perdi meu R.G. ... No começo fiquei preocupada, até dei uma
procurada assim meio “por cima” no meio da bagunça que é a minha casa.Não
encontrei. Tudo bem, não é tão grave assim viver sem R.G.(risos), até porque
posso tirar a segunda via e qualquer hora eu faço isso. Mas não agora, deixa
pra depois! O bom de tudo isso é que, não sei se só eu tenho esse
privilégio, ou todas as pessoas que são “desligadas”, mas com certeza tem
um anjo que me acompanha. Um dia desses fui ao banco pagar uma conta e um dos
gerentes do banco veio até a minha direção e disse : ”É vc! ”. Na mesma
hora eu agradeci a Deus e pensei : “Fui sorteada, ganhei uma bolada! !“
Não, era o meu R.G.! ! Eu tinha esquecido lá. Ah, que bom, não é legal ficar
sem um documento assim tão importante, né?(risos) . Eu só não fiquei
totalmente plena e feliz porque agora descobri que tinha perdido também o meu
C.P.F...Será que eu deixei no banco ? Tomara, assim o gerente guarda pra mim e
quando por acaso eu voltar lá pra pagar alguma conta ele me dá, né? Mas mesmo
assim eu dei uma procurada pelas minhas coisas para desencargo de consciência.
Bom, deixa pra lá...Depois eu tiro a segunda via, fazer o quê?? Um dia desses
eu encontrei o meu C.P.F, mas se eu disser que no momento eu não me lembro
aonde, vc acredita? Só me lembro que fiquei feliz e aliviada. Consegui um
emprego!Agora que estou tomando Rivotril não sinto tanta ansiedade, então
estou AGÜENTANDO ficar por lá. Diariamente, no fim de um longo dia de
trabalho, eu volto para o escritório decidida a pedir demissão, mas acabo
desistindo. Com essa história de emprego e tal, decidi arrumar uma agenda pra
ver se eu conseguia organizar um pouco minhas coisas... Agora eu pergunto: Você
usou a minha agenda? Não? Nem eu!Apesar de ter milhares de coisas pra marcar,
que eu não poderia esquecer de jeito nenhum, compromissos importantíssimos e
coisas que eu deveria prestar conta no escritório depois, mesmo assim eu não
usei. Ah, mas também não estou tão mal assim, né! Eu usei sim. Tem uns nomes
marcados nela, fora algumas figurinhas de chiclete. Jusciléia, Elvira
Nascimento, Ivone, uma tal de Ana do restaurante, Daniela(na hora do almoço! )e
seus respectivos telefones.Só que tudo isso marcado numa mesma folha e na
verdade eu não sei o que devo fazer com tanto telefone.Não sei se tenho que
ligar pra agendar alguma visita ou pegar algum dado que estava faltando ou mesmo
ligar pra conversar um pouco(risos) . Todos os dias, antes da nossa equipe sair
pra trabalhar, o chefe faz uma reunião de uns 30 minutos mais ou menos.Dessa
reunião eu só aproveito o começo, quando ele fala: “Então pessoal, hoje...”
e depois: “Boa sorte e boas vendas !“ E no meio da reunião eu fico pensando
sobre muitas coisas importantes, como a ração dos cachorros que eu esqueci de
deixar e os coitadinhos vão passar fome o dia todo (e tenho certeza que meu
anjo da guarda não vai colocar) e se eu larguei a janela da minha casa aberta
ou não.Depois lembro de algum fato que aconteceu comigo quando eu era criança
e em seguida que eu preciso tingir o meu cabelo porque está medonho e o que
será que eu vou comer no almoço hoje? Quando acaba a reunião e todo mundo sai
pra trabalhar, entro na Van que leva a gente até o roteiro e no meio do caminho
eu percebo que esqueci minha folha de relatório e os catálogos que deveria
entregar na rua.Fora isso, ouço o comentário do pessoal sobre as coisas que o
chefe disse na reunião e eu penso com os meus botões : “Onde será que eu
estava que não ouvi isso ?”. O nosso material de trabalho é composto de
caneta(já perdi várias), catálogos(sempre esqueço de pegar no escritório e
tenho que ficar pedindo p/ os outros depois.)Um prancheta (já estou usando a
terceira porque perdi as outras duas)e a folha de relatório (que graças a
Deus, sempre tem um abençoado que já pega duas e sempre me dá uma, porque
também esqueço! ). Ai, tocou o telefone! ! Abaixa a televisão, o rádio, não
fala comigo agora e se possível deixa eu ficar de olhos fechados pra eu
entender o que a pessoa está falando do outro lado da linha.Se for o celular
então, na rua, minha nossa senhora! ! em um buraco aí pra eu entrar?Não, não
tenho vergonha de atender o celular em público, mas tem tanto barulho que eu
não consigo conversar direito. Está passando um programa tão interessante na
televisão...Numa situação dessas eu tenho dois comportamentos diferentes.Se
for muito interessante mesmo, um assunto pelo qual eu sou fascinada, pode cair
20 torres do World Trade Center do meu lado que eu continuo do mesmo jeito.Se
for alguma coisa interessante, mas nem tanto, eu preciso fazer um grande
esforço pra me concentrar e não fale comigo!Você já viu uma pessoa “desligada”
tomar remédio?É bem engraçado, mas perigoso...Eu estou fazendo um tratamento
dentário e tive que extrair alguns dentes, junto com isso tive uma colite de
fundo emocional.Conclusão: Fora o antidepressivo e o calmante que já ficam do
lado da minha cama porque tenho que tomar ao deitar, tive que tomar mais 5
remédios em horários diferentes.Tive vontade de me fechar num quarto com todos
os remédios, um despertador e um galão de água e passar uns 15 dias só
assim. Quando eu não esquecia os remédios em casa, eu levava e esquecia de
tomar.E quando eu lembrava de tomar, esquecia o horário e acabava tomando fora
de hora. Já perdi a conta de quantos tratamentos com remédios e antibióticos
comecei a fazer e não terminei.Ou se terminei, foi de uma forma muito precária.
E nas horas mais íntimas, quando vou ter relação sexual? Hummmm! Qualquer
coisa tira a minha atenção. Ou eu me concentro tanto que até entro em transe
ou a pessoa que está comigo tem que ser muito criativa e fazer uma super
produção teatral com direito à malabarismos e tudo mais pra prender a minha
atenção, se não, perco o interesse.Mas se o cachorro latir ou tocar o
telefone, pronto! Escrever, como já deve ter notado, é uma das coisas que
adoro fazer. Esse canal, da escrita, me permite expressar tudo o que penso e
sinto, porque falando não vai, me embolo toda e esqueço palavras e até mesmo
o que estava falando. Só que esse “canal” da escrita tem que ser pelo
computador(risos), porque é mais rápido e prático.Escrevendo à mão eu me
canso logo e acabo desistindo. Escrever é uma das coisas que faço melhor, até
porque eu pratico bastante. Até há pouco tempo eu tinha o português péssimo,
esquecia das vírgulas e acentos. Mas a sorte foi que eu me apaixonei por uma
pessoa e a gente se correspondia muito. Como tudo o que é novidade pra mim vira
uma obsessão, eu escrevia tanto e rascunhava mil cartas e ia corrigindo e
escrevendo mais e mais, que passei a melhorar o meu português. Tinha que fazer
bonito e impressionar! Ainda erro algumas coisas, mas leio e releio mil vezes
antes de imprimir qualquer coisa que escrevi. Bom, estou empregada, tenho uma
vida agradável, moro com uma pessoa que amo, mas... Pensando bem, acho que devo
mudar de emprego.E mudar de casa também, apesar de eu gostar muito dessa que
estou.Poderia largar tudo e sair pra viajar (como já fiz outras vezes)e até
mesmo arrumar outra pessoa pra namorar, apesar de eu amar muito a atual. Mas a
minha cabeça funciona assim:Mudar, mudar, mudar, mudar... Nunca me sinto com os
pés no chão, é como se eu estivesse boiando na água e não tivesse controle
da minha vida. Quando o vento me sopra para o lado eu vou e mesmo que estiver
ótimo ali do lado, o vento me sopra para o outro lado e eu não faço nada pra
me segurar, porque quero ver o que tem do outro lado...(risos) . Pois é, essa
é minha vida, geralmente engraçada, às vezes angustiante, mas eu sinto uma
vontade imensa de ser diferente. Ou melhor, ser igual à maioria das pessoas,
pelo menos nas atividades normais do dia-a-dia.Esse meu jeito me incomoda muito
e sinto que perco muitas oportunidades por eu ser assim. Não vejo a hora de
sarar disso, não sei se com remédio ou terapia, mas quero melhorar. Quero
soltar esse furacão que existe dentro de mim e tenho certeza que vou brilhar
muito na vida.Vocês ainda vão ouvir falar de mim! ! OBS:Eu sei que o texto
está sem parágrafo e não está alinhado, mas eu não sei como mudar isso.
Abandonei o curso de computação na metade e não deu tempo de aprender a
alinhar os textos.
Estive
pensando e cheguei a uma conclusão sobre o que acontece comigo:sou uma pessoa
superficial. Isso mesmo, em tudo sou superficial. Não me sinto completa,
inteira, nunca.
Passo
o tempo inteiro pensando, minha cabeça nunca para, são turbilhões de
pensamentos e idéias que surgem e se confundem. Ás vezes idéias geniais, mas
nunca completas, nunca me aprofundo nos pensamentos.
Isso
acontece também no dia a dia, quando ando na rua, por exemplo. Não consigo
prestar atenção nas coisas, não fico atenta aos acontecimentos. Não sei como
ainda não fui atropelada! !Se estou andando, minha cabeça se perde novamente em
pensamentos e idéias inacabadas. Outra coisa que me confunde muito na rua são
os barulhos. Carros, buzinas, pessoas falando, música nas lojas. . . Isso tira
totalmente a minha atenção e se encontro alguém conhecido e paro pra
conversar, o barulho atrapalha a conversa e as vezes até esqueço do que estou
falando.
Em
casa também é um problema. Não tenho noção nenhuma de organização. Do mesmo
jeito que não consigo organizar pensamentos e idéias, não consigo organizar
objetos dentro de casa. Sinto inveja das pessoas que tem mania de organização,
acho lindo, mas é uma coisa que não entra na minha cabeça. Até
tento mudar, ser uma pessoa mais organizada, mas não consigo. Minhas roupas nunca
são dobradas, minhas gavetas são uma loucura, uma mistura de documentos
importantes com recibos, papel de bala, pilhas usadas e novas, fotos. . . Sei que isso
é péssimo e atrapalha a minha vida, mas quando começo a organizar tudo entro
em "parafuso". Além do tempo que levo organizando tudo(as vezes dias),
pois paro inúmeras vezes perdida em devaneios e pensamentos que me tiram a
atenção, não consigo saber por onde e como devo organizar as minhas coisas.
Não
tenho horário pra me alimentar, pra dormir e acordar, pois odeio horários.
Posso
dizer que os momentos melhores quando estou em casa, são aqueles que fico
quieta, ouvindo uma música e pensando. Adoro. Só que isso não me leva à nada,
não acrescenta em nada na minha vida.
Adoro
ler, mas também leio superficialmente. Quando consigo terminar de ler um livro(pois muitas vezes me
desinteresso no meio da história e
paro), depois é difícil explicar sobre o que eu li. Até sei, mais ou menos o que li, meio por
cima, mas não consigo me expressar e contar a história. E durante a leitura, paro
inúmeras vezes porque é como se me desse um "apagão" e me perco em
pensamentos que nada tem as ver com o que estou lendo.
Agora
mesmo, escrevendo tudo isso, já parei várias vezes e até esqueci o que estava
escrevendo. Qualquer barulho me tira a atenção e me desconcentra.
Adoro
escrever, mais do que falar, pois me expresso melhor. Só que pra mim é mais
fácil no computador, pois canso rápido escrevendo à mão e logo desisto.
Assistir
televisão é a mesma coisa, começo prestando atenção, mas logo estou olhando
para a tela e com a cabeça em outro lugar. Nem sei dizer o que estava assistindo
e sobre o que estavam falando.
Em
conversas é assim também. Se a pessoa é animada e prende a minha atenção, me
fazendo rir e interagir com ela, até presto atenção. Mas se é uma conversa
mais calma, onde tenho que me concentrar no que a pessoa está falando. . .
Pronto! Já desligo e vou para o "mundo da lua".
Gostaria
muito de aprender a dirigir, pois sei que é útil, mas tenho certeza que pra mim
vai ser difícil, porque guiar exige muita atenção, coisa que em mim não
funciona direito. Não tenho muita noção de espaço e tempo.
E
fora a falta de atenção, um curso na auto-escola dura algum tempo, coisa que me
desespera totalmente. Tem horários.
Estive
fazendo a conta das coisas e cursos que comecei a fazer e parei na metade, mesmo
sendo coisas do meu interesse e que gosto. Nossa. . . Um absurdo.
Desde
pequena tinha dificuldade em ficar na escola. Chorava, queimava de febre e não
queria ir.
Nunca
conseguia prestar atenção nas explicações dos professores, e nas matérias
mais complexas sempre ia mal. Durante as aulas, além de
ficar"viajando", as vezes ficava fazendo desenhos no caderno. Não fazia
as lições de casa, não lia os livros recomendados, fazia os trabalhos
escolares em cima da hora e estudava para as provas um dia antes e sem noção
nenhuma do que estava estudando, pois não prestava atenção nas aulas.
Depois
vieram os cursos inacabados:Natação, ginástica olímpica, desenho, ballet,
inglês, datilografia, computação, futebol, curso de culinária, canto, piano,
violão. Abandonei todos.
Abandonei
a escola no final do 3º colegial. Tentei terminar numa escola estadual, mas
também abandonei. Fiz supletivo, mas quase não freqüentava as aulas. Terminei,
graças as provas do estado.
Comecei
a faculdade de psicologia, mas abandonei.
Resolvi
trabalhar com artesanato, parei. Entrei como caixa numa farmácia, mas fiquei só
uma semana. Agora trabalho com tatuagens de henna na feira de artesanato da
cidade, mas já não agüento mais. Comecei também a fazer bombons pra vender na
escola, todo mundo estava adorando, mas parei.
Quando
me interesso muito por um assunto, vira uma obsessão. A minha vida passa a girar
em torno desse assunto e só penso nisso o tempo inteiro, mas chega uma hora que
desanimo e paro.
Tenho
pavor à regras, compromissos, horários. Se tenho alguma coisa pra fazer, com hora
marcada, não posso fazer mais nada durante o dia todo, pois entro em pânico e
quase sempre chego atrasada.
Perco
tudo, coisas importantes, objetos (o último foi o meu R. G. ), até amigos, pois me
desinteresso por eles.
Sou
instável, volúvel. Na minha vida tenho que sempre ter algo muito excitante para
eu estar envolvida, mas logo perco o interesse e procuro outra coisa pra me
interessar.
Tive
vários episódios de depressão, inclusive estou passando por um, acho que o
pior. Por quê?Voltei a fazer faculdade, mas já não estava conseguindo ir
novamente. Senti um baque, resolvi desistir de tentar, desistir de mim. Estou
com 22 anos, me sinto uma pessoa vazia, superficial, frustrada.
Já
fiz terapia, trabalhei a minha auto-estima, mas o meu "desinteresse"
não muda, não melhora. Mesmo quando não estou deprimida, sou assim, não mudo.
Sinto como se eu vivesse em outro mundo e assistisse a vida passar de camarote.
Dentro
de mim, eu sei que existe um furacão, sei que sou inteligente e se eu conseguisse
ir a fundo em alguma coisa, seria brilhante. MAS NÃO CONSIGO!
Sinto
como se uma parte do meu cérebro estivesse anestesiada .
Sinto
inveja das pessoas que vão trabalhar todos os dias, no mesmo horário,
contentes e satisfeitas. Sinto inveja dos meus amigos que já terminaram a
faculdade. Sinto inveja das pessoas interessadas que conversam sobre todos os
assuntos. A sociedade, as pessoas, a família, os amigos, todos exercem sobre
mim uma certa pressão para que eu tenha um objetivo na vida, para que eu
termine alguma coisa e seja bem sucedida. Sinto-me impotente. Só que eu tenho
certeza que não é a depressão que me torna assim, é eu ser assim que me
deprime. Eu sempre fui assim e a depressão é só uma conseqüência dessa
minha vontade de "andar com as pernas quebradas".
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