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Psicoterapia
Junguiana
"A pessoa, o terapeuta, é
um sistema psíquico que, atuando sobre outra pessoa, entra em interação com
outro sistema psíquico." (Carl Gustav Jung). Irá interpretar os dados de
uma experiência de diferentes maneiras. Diferenciará o indivíduo como uma
personalidade impar mas que só se pode afirmar sobre o que se reconhece em si.
O psicoterapeuta deixa fora seu
conhecimento e suas experiências pessoais para permitir que aquela
personalidade se expresse e não se estabeleça críticas ou julgamentos; só
deve ser notado, apreendido o que se refere ao "homem genérico", ao
coletivo humano.
Jung: "Ao colocarmos desta
forma, o sistema psíquico dele se relaciona com o meu, o que faz produzir um
efeito dentro do meu próprio sistema. Este efeito é a única coisa que posso
oferecer ao paciente individual e legitimamente."
Como uma pedra jogada em um
lago..... o primeiro circulo é o indivíduo em seguida a família, amigos e
colegas, parentes afastados, sua região, sua cidade, estado e pais. Suas
origens e heranças, sua particularidade como parte do gênero humano.
Jung fala que só importa o
método que o terapeuta tem confiança. Quando acredita fará tudo para obter a
cura e equilíbrio emocional de seu paciente.
Chamar o psicoterapeutizado de
cliente o faz sentir participante do processo, quando é paciente sinto que
sugere passividade e espera pela cura e é necessário que queira buscar
conscientização dos problemas para poder confrontá-los e que para de os
sentir como "fantasmas"que aparecem e desaparecem de modo independente
muitas vezes.
Com uma atenção constante
para não normalizar, não coletivizar a pessoa, não cair neste erro
profissional que não deixa de acontecer muitas vezes; assim retarda-se ou até
pode se destruir a possibilidade, a capacidade evolutiva individual.
Jung também diz que é a Freud
que devemos a inestimável descoberta de que o analista também têm complexos,
sendo estes um dos pontos cegos, que atuam como outros tantos preconceitos e
complexos. Isto foi percebido ao longo da prática, observando a dificuldade de
terapeutas em interpretar ou conduzir o paciente a uma maior compreensão de si
mesmo e conseqüente cura. Resumindo: aquilo que não está claro para o
profissional, impede que se torne consciente para o paciente. Psicologia
Junguiana, psicologia analítica, porque foi concebida por Carl Gustav Jung,
contemporâneo e colega de Freud. Cada um tomou um caminho distinto na
psicologia quando discordaram em relação à abrangência da psiquê humana.
Jung ampliou o espectro da análise psíquica incluindo as influencias do meio,
da história e do coletivo do ser humano. Freud por sua vez aprofundou-se nos
desejos reprimidos, nas pulsões e na influência da sexualidade. Tanto Jung
como Freud analisaram os sonhos, mas Jung percebeu a amplitude do inconsciente
que continha além do individual, o coletivo, validando as matrizes, os
arquétipos que estruturam e designam caminhos e tendências para os
indivíduos.
A psicologia analítica,
valoriza muito a relação humana na prática da psicoterapia. O psicólogo deve
se abstrair e deixar de lado sua superioridade no saber e também não
influenciar o paciente; o terapeuta deve sentir-se livre para se relacionar
espontaneamente com a experiência de vida dele para que assim o analisando se
coloque no mesmo nível do psicoterapeuta e conversar com alguém que ele vê. O
paciente tem oportunidade de relatar sua história, seu material, suas queixas e
suas opiniões sem ser limitado pelos pressupostos do terapeuta.
A Psicoterapia é um processo
(uma análise) no qual a pessoa (cliente) tem oportunidade de detectar
(conscientizar) vários aspectos seus e de seus relacionamentos afetivos e
profissionais que a incomodam, seus complexos, seus limites, que a desgastam
emocionalmente e comprometem seus relacionamentos. Com o tempo as causas
aparecem à consciência e este processo se tornou a base de todas as
psicoterapias. O tempo é importantíssimo para a incursão da pessoa na
própria psique e na cura das neuroses, porque as neuroses são produtos de uma
evolução defeituosa que na maioria das vezes levou muito tempo para se formar.
Com a psicoterapia é possível
distinguir-se as inseguranças e carências advindas da própria história de
vida (infância, adolescência) para assim poder confrontá-las com lucidez e se
desvencilhar dos vários complexos que desgastam uma pessoa (desequilíbrios
emocionais, depressões, ansiedades,etc) propondo assim escolhas e caminhos
práticos no dia-a-dia que levam a mais equilíbrio e a uma melhor qualidade de
vida.
Este trabalho (processo de
psicoterapia) é realizado em sessões semanais sempre com o(a) mesmo(a)
psicoterapeuta, individualmente. Assim, o cliente vai adquirindo mais segurança
e liberdade em expor suas queixas, dificuldades e inseguranças. É muito
importante que haja empatia entre o paciente e o(a) psicoterapeuta para que este
trabalho se desenvolva sem resistências e com segurança (é bom lembrar que
há sigilo profissional absoluto). A terapia é individual, sempre é aquele
indivíduo que tem características e vivências para serem ouvidas e discutidas
com o terapeuta, que possa ser interpretada e avaliada aí sim, com o coletivo,
com seu meio, com seus modelos.
O psicoterapeuta não é um
juiz, nem um crítico, mas um profissional que com seu conhecimento psicológico
vai ajudar a pessoa a identificar comportamentos e atitudes negativos que
interferem em sua vida (pessoal, familiar e profissional) e muitas vezes, na sua
saúde e bem-estar físico. Trazendo à consciência (à luz), a origem (a
causa) destes problemas o cliente poderá ter uma organização emocional muito
melhor, obtendo mais qualidade e harmonia em sua vida.
O psicoterapeuta (psicanalista,
psicólogo, analista) não pode medicar, mas sempre que necessário vai indicar
um médico psiquiatra e acompanhar o tratamento medicamentoso (explicando os
colaterais, avaliando a melhora do quadro clínico, etc.) ou muitas vezes recebe
para a psicoterapia uma pessoa encaminhada por um psiquiatra ou médicos de
outras especialidades. O psiquiatra faz um diagnostico psíquico clínico
(transtornos, ansiedades, depressões, fobias, etc.) em uma consulta médica e
receita uma medicação que tem como intuito obter um equilíbrio bioquímico
sanando os distúrbios que impedem a pessoa a ter uma rotina saudável. A
psicoterapia (análise) vai pesquisar a origem (causas) destes distúrbios de
humor, das inseguranças pessoais, dos complexos, das dificuldades de
relacionamentos, etc...
O processo psicoterápico
proporciona ao indivíduo um auto-conhecimento, uma compreensão e respeito aos
próprios limites, como também a desperta para seus potenciais e como
exerce-los. Com este auto-conhecimento a pessoa tem uma melhor compreensão
sobre as outras pessoas, a entendê-las como são e assim ter expectativas reais
e não expectativas ideais, resultando em menos frustrações e decepções nos
relacionamentos. A vida se torna mais harmoniosa e preenchedora.
Psicólogo
Juarez Lopes Neto
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