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O tratamento de adultos com Transtorno do Déficit de Atenção
com ou sem Hiperatividade envolve aspectos complementares. O primeiro deles é o esclarecimento
detalhado acerca do transtorno e a variedade de sintomas, o curso do mesmo ao
longo da vida (ao menos até o diagnóstico e a instituição de terapêutica
apropriada) e as conseqüências no funcionamento social, profissional e
familiar. Muitos pacientes necessitarão de psicoterapia em função de uma
multiplicidade de comprometimentos nas diferentes áreas. Um tipo de abordagem
muito utilizado nos EUA, que bem poderia ser considerada um tipo de psicoterapia
latu sensu, é o acompanhamento do paciente por um profissional especializado em
Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, que serve como um "coach" (treinador, em inglês).
O "coach" estimula o
paciente, adverte quanto às conhecidas áreas mais problemáticas, sinaliza
conseqüências de um comportamento impulsivo, discute o comprometimento que
ocorre nas vidas social, conjugal (muito comum, como vimos!) e profissional. O
abuso e a dependência de álcool e drogas (especialmente cocaína) são muito
comuns, especialmente nos homens, e devem ser tratados com profissionais de saúde
mental (psiquiatra e psicólogo). Quadros depressivos e ansiosos devem também
ser tratados com aqueles profissionais. Eventualmente são necessários
tratamentos mais específicos para estas condições.
No caso de adultos casados, com
freqüência algumas intervenções necessitam ser realizadas com o cônjuge. No
caso de crianças e adolescentes, há programas de orientação e treinamento
para pais e professores. Existem propostas muito interessantes de reestruturação
do ambiente escolar e doméstico para crianças com Transtorno do Déficit de Atenção
com ou sem Hiperatividade. Existem também várias
recomendações que podem ser fornecidas ao paciente, de acordo com cada caso em
particular, que amenizam suas dificuldades no dia-a-dia (tais como esquecimentos,
etc.).
A terapêutica farmacológica
deve ser tentada na absoluta maioria dos casos onde o diagnóstico é claro e há
comprometimento na vida social, profissional ou acadêmica. A farmacoterapia
pode não estar indicada em casos mais leves ou quando não há comprometimento
evidente do funcionamento do indivíduo. Segundo alguns autores, há evidências
(ao menos em crianças) do efeito aditivo de Psicoestimulantes, treinamento e
orientação de pais e técnicas Cognitivo Comportamentais, o que pode sugerir
maior eficácia de tratamento combinado, apesar de não existirem resultados
inequívocos publicados até o momento. Existem muitos profissionais que prestam
um desserviço à comunidade quando afirmam em meios de comunicação que os
medicamentos "entorpecem" os pacientes, os tornam "robotizados",
"zumbis" e que este é um meio artificial de controle da doença.
Geralmente são profissionais que não podem receitar medicamentos, é claro.
Estão desinformados e provavelmente nunca acompanharam de perto um número
suficiente de pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade
antes e depois do tratamento farmacológico para
observar a enorme diferença na vida destes indivíduos.
Vários fármacos já foram
estudados no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, havendo evidências mais sólidas de eficácia
com os seguintes (os medicamentos não disponíveis comercialmente no Brasil estão
assinalados com um asterisco):
- .PSICOESTIMULANTES, como o Metilfenidato
(Ritalina), o Pemoline (Cylert*), e as Anfetaminas (Dexedrine*, Adderall*).
Os Psicoestimulantes são a
primeira escolha no tratamento de Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade
segundo o NIH - National Institute of
Health, dos EUA. Nada menos que 90% de todas as crianças em tratamento para Transtorno do Déficit de Atenção
com ou sem Hiperatividade nos EUA fazem uso de estimulantes. Existem mais de 170 estudos clínicos,
com mais de 6.000 crianças avaliadas, demonstrando que 70% respondem com um único
estimulante (o que é considerado muito bom, em medicina). Os psicoestimulantes
melhoram não apenas os sintomas típicos de Transtorno do Déficit de Atenção
com ou sem Hiperatividade (desatenção, impulsividade
e hiperatividade), como também aqueles de condições coexistentes
(especialmente ansiedade e depressão). Explosões de raiva e comportamento
intempestivo também melhoram com metilfenidato.
A produção do Metilfenidato triplicou nos últimos dez anos, tendo o seu uso aumentado significativamente.
Este aumento poderia significar várias coisas isoladamente ou associadas entre
si : aumento da prevalência de Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade
(improvável), mudanças no diagnóstico
de Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, tornando-o mais abrangente (improvável, já que se utilizando os critérios
da DSM-IV apenas uma pequena quantidade de crianças recebe o diagnóstico),
aumento do reconhecimento do Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade
por parte dos médicos (bastante provável) e
aumento do uso recreativo ou dependência ao produto. Quanto a este último
aspecto, que merece ser avaliado com cuidado, cabe ressaltar que embora existam
evidências de dependência em estudos com animais, não está claro se o
metilfenidato pode causar euforia e dependência em seres humanos. Segundo o NIH
Consensus Development Conference on Diagnosis and Treatment of Attention Deficit
Hyperactivity Disorder, ocorrido em novembro de 1998 nos EUA, os dados obtidos
em programas de monitorização em escolas mostra que não tem ocorrido aumento
do abuso de metilfenidato (por exemplo, triturando e cheirando o comprimido),
este último ocorrendo com frequência muito menor que o uso de maconha ou cocaína.
O uso não médico (portanto, abuso ou dependência) de metilfenidato tem
permanecido constante ao longo dos anos em cerca de 1%, portanto desprezível.
Os eventos adversos observados
com o uso de psicoestimulantes ocorrem em apenas cerca de 4% dos pacientes e são
os seguintes : insônia, diminuição do apetite, dores de estômago e cabeça e
vertigem. Algumas crianças desenvolvem tiques quando iniciam o uso de
estimulantes, mas não se sabe se a medicação causa os tiques ou se ela
simplesmente revela uma condição pré-existente (crianças que têm Doença de
Tourrette, caracterizada por múltiplos tiques, pioram quando usam
psicoestimulantes).
Antigamente havia a crença de
que o uso de estimulantes retardaria o crescimento de crianças e por isso se
recomendava os "feriados" (alguns dias ou o final de semana) ou "férias"
(meses) terapêuticas. O estudo de Mannuzza, Klein e Bonagura de 1991,
considerado como referência mundial, revela que isto não ocorre. O uso de
metilfenidato apenas se associa a um menor ganho de peso (não de altura).
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Antidepressivos
podem
diminuir a agressividade, melhorando também os sintomas de ansiedade e depressão
freqüentemente observados em portadores de Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade.
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Clonidina
(Atensina), um
medicamento para tratamento de hipertensão arterial, parece estar associada
a resposta favorável em bom número de casos.
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Neurolépticos:
devem ser restritos a casos
muito especiais, em geral quando os estimulantes promovem aumento do
comportamento motor ou quando existe déficit cognitivo associado (retardo
mental).
Jamais faça uso de qualquer
medicamento sem o acompanhamento de um médico. Consulte-o também sobre a
necessidade de outros tipos de tratamento reconhecidos.
Um aspecto bastante atual no
tratamento não-medicamentoso do Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade
(pode ser feito isoladamente ou em
conjunto com o uso de medicamentos, dependendo do caso) é a chamada Reabilitação
Cognitiva, que merece ser mencionada. Consiste em treinamento e desenvolvimento
da capacidade atentiva por meio de exercícios planejados e hierarquizados. Freqüentemente,
emprega-se software especializado e técnicas de controle.
Já vou me adiantando porque
sei que alguém vai ter "uma brilhante idéia" : Por favor ! Não
adianta ser um bom programador e ter uma vaga idéia sobre Transtorno do Déficit de Atenção
com ou sem Hiperatividade e resolver lançar
no mercado um programa de "treinamento de atenção para pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção
com ou sem Hiperatividade".
Existe um extenso arcabouço teórico na elaboração destes programas,
envolvendo neuroanatomia, neurofisiologia, terapia comportamental e cognitiva,
além de neuropsicologia.
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